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terça-feira, 17 de agosto de 2021

Dia do patrimônio histórico: riqueza da identidade cultural de Cabaceiras


Hoje, dia 17 de agosto, lembramos como o dia do Patrimônio Histórico e sem dúvidas, um dos fatos notórios que compõem a rica experiência de conhecer Cabaceiras é passear por seu belo centro histórico, que conta com um casario modesto de estilo eclético, belíssimos prédios públicos que se destacam em meio a paisagem, a exemplo das Igrejas Matriz e de Nossa Senhora do Rosário, da Prefeitura Municipal e da antiga Cadeia Pública, além de praças aconchegantes que marcam os pontos de encontro da população cabaceirense desde o passado.

Todo a construção desse riquíssimo patrimônio histórico tem seu início no século XVIII com a ereção da pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, a partir da qual, surge ao redor as primeiras moradias que dão origem ao povoado de Cabaceiras. Para chegarmos ao centro histórico da forma como conhecemos hoje, diversas modificações aconteceram, a exemplo da própria capela que com o tempo e crescimento da população foi ampliada e em 1833 já figurava como Matriz da Paróquia, ou dos casarios que a princípio eram possivelmente feitos de pau a pique e tiveram que ser readequados por determinação da Lei nº 42 de 2 de outubro de 1861, da qual já falamos aqui em uma série de 3 postagens que você pode conferir através dos links: Parte I/ Parte II/ Parte III.

Além da Igreja Matriz, o centro histórico de nossa cidade conta ainda com a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que foi construída em 1860 como ambiente para os pretos escravizados poderem realizar suas orações, já que não eram permitidos na Igreja Matriz, a qual era frequentada apenas pelos brancos. Outros exemplos de prédios que podemos destacar são a Cadeia Pública que data do ano de 1876 e o antigo "Paço" Municipal do início do século XX.

Ainda é possível lembrar o antigo Mercado Público que foi erguido em 1888 e funcionou por cerca de 90 anos, até a década de 1970 quando foi derrubado. Através deste exemplo, podemos refletir sobre a importância da preservação do nosso patrimônio histórico, afinal, muito mais do que simples obras de alvenaria, são edifícios que trazem consigo memórias de um povo, da construção de sua identidade e do desenvolvimento da sociedade, assim como o antigo mercado carregava consigo o forte legado das feiras livres, do funcionamento do comércio antigo na região, de um ponto cultural de encontro da população e do desenvolvimento da economia local.

É importante que a cada dia, tanto a gestão pública, quanto a população busquem por medidas efetivas, políticas públicas que tenham como objetivo promover a manutenção do nosso vasto patrimônio histórico, que aqui nos concentramos a lembrar através do centro urbano local, mas que também é composto pelos sítios arqueológicos e paleontológicos, construções rurais e belezas naturais que só o tempo é capaz de construir, pois são meios para irmos de encontro a nossa memória pessoal ou coletiva e a identidade de nosso povo.


Por João Vítor Oliveira Aires

Em 17 de agosto de 2021

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O Grupo Escolar Alcides Bezerra: o nosso "templo do saber"

        A história da educação cabaceirense vem de longa data, há documentos que comprovam a presença de Escolas de Primeiras Letras em Cabaceiras desde meados do século XIX, mas uma das mais importantes instituições educacionais de nosso município vem a existir na primeira metade do século XX, estamos falando da Escola Estadual Alcides Bezerra, conhecida pelos mais velhos como "O grupo" e sendo exaltada pelo poeta Paulinho de Cabaceiras como o "templo do saber".
          De acordo com o poeta e historiador acima citado, Argemiro de Figueredo em seu governo abriu créditos especiais nos anos de 1935 e 1936 para a construção de grupos escolares na Paraíba, e uma das localidades contempladas foi a nossa cidade, tendo sido iniciada a construção em 1937,  recebendo em 1° de março de 1939 o nome de Alcides Bezerra a partir da Lei n° 1324 deste mesmo ano.
Foto do Grupo Escolar Alcides Bezerra
          A imagem acima mostra o grupo Alcides Bezerra sendo supostamente construído, pois não há presença de vidraças e nem janelas, a ausência do letreiro com a nomenclatura da escola, como também, as estruturas de madeiras nos fazem supor o processo de construção ou reforma, mas se caso a fotografia seja referente á construção, a imagem seria datada entre os anos de 1938 a 1939.
           A nomenclatura do grupo escolar foi uma homenagem a Alcides Bezerra (1891-1938) que foi deputado estadual, diretor do Arquivo Nacional e Inspetor Geral da Instrução Pública da Paraíba.
Foto do deputado Alcides Bezerra
         De início o grupo escolar só atendia ao 1° grau, o que hoje seria o ensino fundamental, sendo adicionado o 2° grau por volta dos anos 90, atualmente a Escola Estadual Alcides Bezerra se volta apenas ao ensino de nível médio, formando jovens para a vida, na qual muito se incentiva a formação acadêmica e para o mercado de trabalho.
          
Estudantes em frente ao Grupo Escolar Alcides Bezerra;
dentre as jovens estão D. Zeta de seu Gida, e D. Hermínia, nos ajude a descobrir quem são as demais
   

      A Escola Alcides Bezerra apresenta-se quanto um importante patrimônio histórico e educacional de nosso município, pois foi um espaço em que diversas gerações ali estudaram, ou melhor, grande parte de nossa população passou por esta escola,  sendo não apenas um âmbito de ensino, mas para além disso foi, e ainda é, um lugar de relações sociais e de memórias, que merece ser cada vez mais preservado e valorizado pelos cabaceirenses, de forma que continue sendo o nosso "Templo do Saber".
Cabaceiras - PB
15 de dezembro de 2017

REFERÊNCIAS:

Histórico da Escola Alcides Bezerra, por Paulinho de Cabaceiras.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O pastoril de Dona Terezinha em 1952: uma manifestação folclórica cabaceirense

      O pastoril é uma antiga tradição, muito presente na cultura nordestina, em que teve suas origens na Europa e sendo importado para o Brasil sofreu diversas modificações, tal manifestação artística compõe um dos atrativos, principalmente, de festejos natalinos e comemorações da Epifania do Senhor, podendo apresentar-se quanto religioso ou profano. O pastoril é composto em sua maioria por meninas, nele há uma união de danças e músicas, em que ocorre as chamadas "jornadas", isto é, etapas em que textos são cantados formando uma narrativa.
       Em Cabaceiras o pastoril, como na maioria das demais localidades, é uma competição entre dois grupos de meninas, os chamados "cordões", representados nas cores vermelha e azul, em nossa cidade o objetivo desta prática é a aquisição de dinheiro, seja para a Igreja ou para pagar despesas da festa em que ocorre esta apresentação folclórica, a arrecadação acontece pela a "aposta" feita pelos espectadores em um dos cordões, o grupo que conseguir maior quantidade de dinheiro ganha o pastoril.
      Em nossa cidade uma grande incentivadora desta prática foi Dona Terezinha de Jesus Farias Aires, o primeiro pastoril que ela organizou foi em 1952 como podemos ver na imagem a seguir:

Atrás da esquerda para a direita: 1- Beta de D. Lieta, 2- Maria de Baé, 3- Maria de Gilberto, 4- Odete de Eugênio, 5-D.Dodó, 6- Neuza Guedes, 7. D. Dedé, 8- Laura de Seu Emídio, 9- Lurdes de A. Mariano, 10- Socorro de Moreira, 11. Maria Emília;
Na frente, esquerda para a direita: 12-Geraldo S. Branca, 13- Seu Xandú, 14- Leidson, 15- Inácio Aires, 16- Romeu de Seu José Aurélio, 17- Seu Hermes, 18- a criança: Socorrinha ST° Otacílio.

      De acordo com D. Nadir, que nos cedeu esta foto e as informações acima, o pastoril acontecia no coreto da praça que fica em frente à Prefeitura, as moças vestiam saias de filó, repletos de florzinhas com as suas respectivas cores do cordão e como podemos ver na imagem cada uma porta uma panderola enfeitada com fitas, que é uma das características dessa dança.
      Mesmo com o passar dos anos essa tradição não se perdeu, atualmente, em nossa cidade a grande educadora D. Socorro Gomes é a principal organizadora dos pastoris, nas quais envolve moças e crianças de nosso município, dando continuidade a essa prática cultural que perdura desde muitas décadas.
Pastoril organizado pela professora Socorro Gomes em apresentação no II Encontro do Folclore brasileiro da Escola Neuly Dourado em 2014.

Cabaceiras-PB
05 de dezembro de 2017

REFERÊNCIAS:



Foto do arquivo pessoal de D. Nadir Pereira

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Dados sobre a escravidão em Cabaceiras

    Desde seus primeiros colonizadores até a segunda metade do século XIX Cabaceiras recebe mão de obra escrava oriunda do continente africano, esses escravos sofreram por séculos castigos e humilhações, não podendo nem mesmo expressar suas culturas e religiosidades, sendo tratados como bens, propriedades, esse último fator é claramente visível no testamento de Dona Isabel Rodrigues de Oliveira, a filha do fundador de Cabaceiras Pascácio de Oliveira Ledo, sendo ela dona de cativos, declara ter cerca de 19 escravos em 1735.
     
Pelourinho - Jean-Baptist Debret
     Alguns dados acerca do número de escravos no termo de Cabaceiras encontramos em documentos estatísticos da Paraíba, inclusive no Recenseamento Geral do Império de 1872,  o mais antigo é o Relatório apresentado à Assembleia Legislativa da Parahyba do Norte de 1851 mostrando que em 1850 Cabaceiras tinha 3742 pessoas livres e 682 escravos, já em 1872
haviam 7557 livres e 587 escravos, ou seja, em 22 anos a população livre teve aumento de 3815 pessoas, enquanto a escrava teve perda de 95 indivíduos.
Quadro geral da população da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Cabaceiras em 1872
    No quadro acima podemos observar algumas informações interessantes acerca da escravidão, por exemplo, dos 587 escravos apenas 14 eram casados, mas destes casados, 8 eram homens e 6 eram mulheres, então será que dois destes escravos eram casados com mulheres livres? pois não era comum haver o enlace entre livres e cativos, no quadro também há uma diferença gritante entre o número de casados livres de uma sobra de 110 mulheres, portanto é preciso questionar tais estatísticas.
    Podemos observar também no quadro todos escravos eram católicos, não por escolha, mas por imposição de seus senhores, o que não os impedia de praticarem secretamente suas verdadeiras crenças, no entanto, logo quando eram adquiridos por seus donos, havia o batismo e a mudança do nome africano para o nome aportuguesado-cristão. Outro dado é que a maioria era considerada brasileira, isto é, nascidos no Brasil, sendo apenas 24 estrangeiros, e no geral destes escravos, 4 sabiam ler e escrever. 
     Outro documento analisado foi um quadro presente na "Falla em que o Exm. sr. Herculano de Souza Bandeira abrio a 1° sessão da 26ª legislatura da assembleia provincial da Parahyba em 1 de Agosto de 1886" mostrando que havia em Cabaceiras apenas 377 escravos, mostrando que a escravidão foi se desgastando ao poucos.


Cabaceiras-PB
28 de novembro de 2017

REFERENCIAS:


MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. MEDEIROS, Martinho Dinoá. Ramificações Genealógicas do Cariri Paraibano; Brasília: CEGRAF, 1989.

RIETVELD, Padre João Jorge.  Antigo termo de Cabaceiras: Artigos históricos. Gráfica Cópias e Papéis, Campina Grande-PB, 2017

Imagem Pelourinho - Jean-Baptist Debret disponível em http://alunosonline.uol.com.br/historia-do-brasil/jean-batist-debret-no-brasil.html  

Falla em que o Exm. sr. Herculano de Souza Bandeira abrio a 1° sessão da 26ª legislatura da assembleia provincial da Parahyba em 1 de Agosto de 1886 disponível em https://archive.org/stream/rpparaiba1886#page/n1/mode/2up/search/Cabaceiras

Relatório apresentado à Assembleia Legislativa da Parahyba do Norte 2 de agosto de 1851 disponível em https://archive.org/stream/rpparaiba1851c#page/n1/mode/2up/search/Cabaceiras